14 November, 2018

Impactos das novas tecnologias nos negócios são tema de debate na CBTI

Francisco Saboya, Andrea Marins (ACBC/CNC), Marcos Vilella (Fecomércio-GO) e Ren

Crédito: Christina Bocayuva

Francisco Saboya, Andrea Marins (ACBC/CNC), Marcos Vilella (Fecomércio-GO) e Renato Opice Blum

Uma grande reflexão sobre os impactos das novas tecnologias e das redes sociais nos negócios foi a principal atividade da última reunião de 2018 da Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação (CBTI) da CNC, realizada em 9 de novembro, no Rio de Janeiro.

O coordenador da CBTI, Francisco Saboya, analisou os desdobramentos das eleições presidenciais brasileiras, cujo novo governo deverá priorizar, conforme já anunciado, a redução do déficit fiscal e do tamanho do Estado. “O contexto merece uma atenção nossa para além do nosso campo de atuação e, por isso, devemos pensar em como auxiliar não somente o desenvolvimento do comércio como também das atividades internas, visando à sustentabilidade do Sistema Comércio”, afirmou.

Para Saboya, é preciso olhar para o futuro, especialmente no que diz respeito ao e-commerce. “Não podemos subestimar o e-commerce só porque hoje ele representa, no Brasil, 5% das transações comerciais. Esse percentual pode crescer e se tornar 30% em alguns anos, a exemplo do que já ocorre na China, através de grandes plataformas digitais de comércio eletrônico como a Alibaba”, disse o coordenador, afirmando também que parte desses 5% atuais é capturada pelo mercado estrangeiro. “Nós corremos o risco de ver a contribuição ao comércio definhar. Cada vez mais somos menos competitivos nessa modalidade de comércio”, completou Saboya.

O exemplo das livrarias, que estão vivenciando uma crise no setor, especialmente as redes Saraiva e Cultura, foi um dos lembrados na reunião da CBTI. No entanto, Saboya apontou que não é apenas esse segmento que está em risco. “Estão condenados todos os modelos de negócio que não se adaptarem ao mundo digital.”

Pablo Tomaz Heck, representante da Fecomércio-MS, ressaltou que o segmento de informática é um dos que estão sentindo o impacto cada vez mais crescente do comércio eletrônico. “Boa parte dos equipamentos eletrônicos vendidos hoje são vendidos pela internet, entrando nessa conta telefones celulares, TVs, entre outros”, afirmou Heck, que apontou a logística como um dos pontos fundamentais para o avanço das compras on-line no setor.

Novas experiências

Apesar do crescimento do comércio eletrônico, isso não significa que as lojas físicas vão acabar, como enfatizou Jean Paul Neumann, da NTech Tecnologia da Informação. Segundo ele, as lojas físicas precisam se reinventar, pensando cada vez mais na experiência do consumidor. “A própria Amazon está comprando espaços físicos nos Estados Unidos, em centros comerciais, para continuar proporcionando a experiência do consumidor com os livros e outros produtos, mas dentro de um novo modelo de negócio”, disse.

As redes sociais também são uma ferramenta em potencial para oferecer ao consumidor o que ele deseja. “Hoje as redes conhecem você melhor do que você mesmo. Direcionam você para certos caminhos, especialmente como consumidor”, afirmou Roger Dantas, da Fecomércio-SE.

Tendências para o futuro

Renato Opice Blum, presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da Fecomércio-SP, destacou alguns dos pontos que serão os principais agentes da transformação digital no futuro, entre eles o avanço das criptomoedas, o maior risco de fraudes em transações eletrônicas, o crescimento de startups e também das fintechs – novas estruturas do mercado financeiro que ganham cada vez mais espaço e podem ser uma boa oportunidade para estimular o comércio eletrônico.

Blum também citou as novas formas de fazer publicidade e marketing em meio digital como forma de atrair mais clientes. “Cerca de 40% das pessoas são influenciadas em posts de redes sociais. É preciso ficar atento a essas novas formas de se fazer publicidade, especialmente investindo em influenciadores digitais”, explicou.

Para Roger Dantas, representante da Fecomércio-SE, a falta de boas estratégias de marketing digital é justamente o que falta para a maior parte do e-commerce brasileiro. “Não adianta só colocar um site no ar e esperar que os produtos se vendam sozinhos. Conheço vários casos de empresários que colocaram um site da sua loja na internet e tiveram prejuízo, mas justamente porque não conseguiram administrar corretamente o negócio virtual”, afirmou Dantas.

Automatização profissional

A necessidade de capacitar os profissionais do comércio em profissões voltadas para a tecnologia também foi debatida. Para Naira Maria da Silva, do Senac-BA, a automatização do mercado é um caminho sem volta. “É preciso fazer essa capacitação, tanto dos empregados como dos empreendedores do varejo”, avaliou.

Segundo estimativas para o futuro, o desemprego tecnológico deverá ser um problema enfrentado de forma global, gerando uma legião de pessoas “inempregáveis”. Para Francisco Saboya, não há nada que comprove que o desemprego tenha a ver com os avanços tecnológicos, sendo apenas uma questão de deslocar os empregados de um setor para outro. No entanto, faltam políticas que pensem a questão de forma séria e comprometida. “Que programas nós temos hoje para capacitar as pessoas que ainda poderão ser empregáveis em um cenário dominado por novas tecnologias?”, indagou.

“Vivemos em um mundo novo, digital, onde as mudanças não são apenas reais e impactantes, mas também são irreversíveis”, concluiu Francisco Saboya.

 

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